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11.09.2017

Artigo: A posição da ABGS em relação à questão dos handicaps índex. Por: Claudio Kiryla

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Um sistema cada vez melhor, mas que se baseia na integridade e honestidade dos jogadores

 

O sistema de handicaps foi criado para permitir que jogadores de diferentes níveis competissem entre si em igualdade de condições, o que funcionava razoavelmente bem quando eles competiam dentro de seus próprios clubes. No Brasil, adotamos já há algum tempo os handicaps índex, um aprimoramento do sistema antigo, que determinava o mesmo handicap para um jogador, independente do campo.

Com o advento do slope system, que, de forma geral, avalia o campo também por sua dificuldade, e não apenas pelas distâncias, o handicap índex passou a ajustar o handicap dos jogadores aos mais diversos campos. Um handicap com portabilidade e mais justo para competições entre jogadores de diversos clubes, como no caso da ABGS.

História O handicap índex nasceu nos EUA no começo do século 20 e, em 1987, tornou-se oficial naquele país, sendo também adotado em outras nações, inclusive no Brasil, embora com metodologias diferentes. A ideia de ter um handicap “portátil” mostrou-se tão boa, que em abril deste ano, o R&A e a USGA anunciaram que estão criando um Handicap System Mundial, para substituir os seis modelos existentes hoje, por um que funcione no mundo todo e nas mais diversas modalidades de jogo.

Hoje mais e 15 milhões de golfistas de 80 países tem handicaps systems calculados pela Golf Australia; pelo Council of National Golf Unions (CONGU), da Grã Bretanha e Irlanda; pela European Golf Association (EGA), pela South African Golf Association (SAGA), pela Argentine Golf Association (AAG) e pela United States Golf Association (USGA) – o mesmo adotado no Brasil.

Handicap Mundial Agora todas essas entidades, reunidas sob o guarda-chuva da USGA e R&A, que dirigem o golfe mundial, e com a participação da Japan Golf Association e da Golf Canada estão debruçados sobre a questão com o objetivo de propor, até o final do ano, a fórmula final do Handicap System Mundial, a ser adotada em 2018, um avanço sem precedentes para o esporte.

“Um aspecto maravilhoso que separa o golfe de outros esportes é a oportunidade de jogadores de diferentes habilidades competirem entre si de forma equitativa por meio de handicaps. Com um sistema global, os campos de golfe serão classificados e suas dificuldades calculadas de forma consistente em todo o mundo. Uma remoção de fronteiras para proporcionar uma maneira fácil de todos competirem juntos e em qualquer lugar”, resume Mike Davis, Diretor Executivo e CEO da USGA.

Honestidade Hoje, no Brasil, a responsabilidade de informar os resultados individuais de cada golfista é dele próprio, entregando o cartão, seja de competição ou de treino, e do clube onde ele jogou. É o clube quem lança esse cartão no Sistema Nacional de Handicaps (Blue Golf), onde os cálculos são feitos levando em conta vários parâmetros. No dia 1º de cada mês o handicap índex de cada jogador para aquele mês é divulgado pelo Blue Golf.

O sistema é cada vez melhor, mas só funciona se os jogadores cumprirem a sua parte. Infelizmente não é o que algumas vezes acontece. Assim, quando um resultado anormal é verificado em torneios, uma comissão avalia caso a caso e, se necessário, é feita uma correção no handicap do jogador. Mesmo assim, a Federação Paulista de Golfe (FPG), por exemplo, só aceita em competições oficiais handicaps índex de jogadores com no mínimo 20 cartões entregues nos últimos seis meses, e chega a reduzir handicaps durante um torneio, de uma rodada para a outra, quando o resultado extrapola alguns limites.

Validade Resultados anormais acontecem e nem sempre – ouso dizer, em raríssimas vezes – indicam má fé ou manipulação de handicaps por parte dos jogadores. Quem nunca fez uma volta muito boa – ou uma volta muito ruim – incompatível com seu handicap? O golfe se baseia em honestidade e todos são inocentes, até prova em contrário, aliás, princípio pétreo de nossa Constituição.

Vemos, no entanto, algumas pessoas se queixando para outras quando um adversário o vence jogando abaixo de seu handicap. A atitude correta para quem tem dúvida razoável sobre o handicap de outro jogador é levar a questão para seu clube, e ele o encaminhará para a Comissão de Handicaps de sua federação. Todos os casos são analisados e respondidos.

Correção A ABGS também mantém um sistema de correção de resultados e reavalia handicaps dos inscritos para suas competições sempre que necessário. Dúvidas são bem-vindas e serão analisadas, desde que sejam comunicadas oficialmente, por escrito. Com isso esperamos ter contribuído para ajudar a esclarecer as questões que alguns associados ainda poderiam ter.

Claudio Kiryla, presidente da ABGS

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