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11.12.2014

O Golfe e a Sustentabilidade

 O Golfe e a Sustentabilidade

 

Ivone Satsuki Namikawa

 

O crescimento da população e a expansão das grandes indústrias com o uso de combustíveis fósseis, a partir da Revolução Industrial abriram caminho para o desenvolvimento com uma expansão acelerada das atividades humanas, pressionando a base limitada, e cada vez mais escassa, dos recursos naturais do planeta.

            A preocupação com esta escassez e com o futuro das próximas gerações fez surgir os conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.

            A sustentabilidade no ponto de vista empresarial pode ser entendida como a capacidade das empresas de aliar sucesso financeiro com atuação social e equilíbrio ambiental.

            Mais recentemente, os relatórios de desempenho das empresas passaram a ser baseadas na sustentabilidade pressupondo ampla transparência das empresas com relação às três linhas principais, representadas pelo desempenho financeiro, pela questão ambiental e pelos aspectos social, ético e comunitário.

O desenvolvimento sustentável refere-se aos processos de mudança sociopolítica, socioeconômica e institucional que visam assegurar as necessidades básicas da população e a eqüidade social, tanto no presente quanto no futuro, promovendo oportunidade de bem-estar social, ambiental e econômico, a longo prazo.

O Relatório Bruntland, presidida por Gro Harlem Bruntland, então a primeira ministra da Noruega, define o desenvolvimento sustentável como o “desenvolvimento que supre as necessidades do presente sem impedir o direito das gerações futuras a suprir suas próprias necessidades”. É sustentável aquilo que tem uma continuidade infinita. Por isso, talvez, a adaptabilidade seja a característica mais importante do desenvolvimento sustentável.

Esse relatório teve como finalidade fazer um balanço do desenvolvimento econômico em nível mundial, além de destacar as principais conseqüências socioambientais desse modelo, propondo algumas estratégias ambientais de longo prazo, visando a um desenvolvimento sustentável.

O processo de degradação ambiental encerra também o avanço da desigualdade social e a corrosão da qualidade de vida que, por sinal, seriam faces da mesma moeda, ou seja, a crise do mundo globalizado. É essencial caracterizar o ambiente como conjuntos muito gerais de relações e agregados de processos diversos: sociedade e natureza, população e recursos, ambiente e desenvolvimento.

Outro aspecto de destaque na discussão da sustentabilidade é o aspecto global, ou seja, tudo se torna conectado e interligado, de forma que uma decisão tomada nos Estados Unidos, por exemplo, pode afetar trabalhadores no mundo todo. A modernidade é globalizante, com forte impacto nas formas de interações sociais e do homem com o meio ambiente.

Gostaria de relacionar aqui dimensões mais amplas para os pilares da sustentabilidade: a dimensão social, a dimensão econômica-tecnológica, a dimensão ecológica-ambiental, a dimensão espacial-geográfica e a dimensão cultural. A sustentabilidade ecológica está voltada não apenas para a produção, mas também para o uso e manejo adequado dos recursos naturais; no aperfeiçoamento da qualidade dos padrões sanitários; na preservação ambiental (uso adequado dos ecossistemas naturais, manejo e reciclagem de resíduos). A sustentabilidade econômica-tecnológica encontra-se voltada para os aspectos econômicos e financeiros, geração de lucro e recursos produtivos. A sustentabilidade social está voltada para a geração de emprego (ocupação) e renda; melhoria da qualidade de vida. A sustentabilidade cultural diz respeito à tradição, religiosidade e misticismo local. A sustentabilidade espacial-geográfica está relacionada à territoriedade e à desconcentração espacial (de atividade; de população; regionalidade; cidade/campo, dentre outras).

Acrescenta-se ainda, a sustentabilidade política, que se encontra relacionada à postura governamental, notadamente quanto às questões da eliminação da pobreza e da miséria; eqüidade social; desenvolvimento do ser humano; respeito à cidadania e incentivo à criatividade humana. Torna-se necessário introduzir no cotidiano dos políticos outro tipo de “racionalidade”, na qual a ética e a moral possam se manifestar em estratégias econômicas, ambientais e sociais, completamente diferentes do que a sociedade está acostumada.

 

O golfe é um esporte que está relacionado positivamente com o desenvolvimento sustentável, se considerarmos a sua prática junto aos recursos naturais. É importante, no entanto, considerar algumas premissas:

 

– Interferir o mínimo possível nas condições ecológicas do local, aproveitando os recursos naturais, inserindo o campo no manejo da paisagem regional e respeitando valores ecossistêmicos como água, biodiversidade, ar, carbono, etc;

– Utilizar técnicas agronômicas adequadas para garantir a manutenção dos gramados em boas condições, com o monitoramento ambiental da região e a adoção de práticas de reciclagem e reuso que visam à conservação dos recursos naturais ali presentes.

– Conhecer e mitigar os impactos sociais, ambientais e econômicos nas comunidades próximas aos campos, prevendo na medida do possível a sua  melhoria.

 

 

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