O joelho é considerado como a maior e mais complexa articulação (junta) do corpo humano. Esta articulação é formada por três ossos (fêmur / tíbia / patela), diversos ligamentos e meniscos. Ele recebe altas cargas devido ao peso corporal do indivíduo e é submetido a grandes forças de aceleração / desaceleração nas atividades da vida diária e mais ainda durante a prática esportiva.
Nestas atividades, o joelho é levado a tolerar diversas “tarefas” como levantar de cadeira/cama, saltar, correr, chutar, mudança brusca de direção, etc., podendo ser atingido e apresentar diversos tipos de lesões causadas por esforços repetitivos ou algum tipo de traumatismo.
Esportes como caminhar, correr, andar de bicicleta, futebol, vôlei, basquete, tênis, golfe, etc. levam a algum tipo de carga excessiva ou traumática aos joelhos. Estas lesões são muitas vezes decorrentes ou complicadas pela falta de treinamento / preparação prévia. Nos nossos consultórios atendemos diariamente inúmeros pacientes com lesões nos joelhos decorrente de esforços repetitivos na ginástica/musculação que não realizam previamente o aquecimento e/ou alongamento adequado.
Podemos dizer então que observamos 2 (dois) grupos de pacientes com lesões nos joelhos: – sem trauma = lesões por esforços repetitivos (“overuse”)
– com trauma = acidentes, torções nos esportes e/ou atividades da vida diária.
As lesões por esforços repetitivos (“overuse”) mais comuns são:
– Dor anterior ao joelho = comum em adolescentes que praticam esportes/ginástica ou sem preparo adequado;
– Tendinites = muito comuns nos atletas que realizam saltos e que mostram falta de alongamento/flexibilidade;
– Dor anterior/lateral ao joelho do corredor = atletas que realizam corridas de longa distância, com conseqüente sobrecarga nos joelhos.
As lesões traumáticas mais freqüentes são:
– Lesão dos ligamentos (ligamento cruzado anterior / posterior, ligamento colateral medial/lateral = muito comum nos esportes de contato (futebol);
– Lesão dos meniscos = durante torções nos esportes / agachar-levantar rapidamente;
– Luxação da patela = freqüente em meninas jovens que apresentam alterações desde o nascimento;
– Fraturas do osso/cartilagem = mais raras, porém se não diagnosticadas e tratadas adequadamente, levam a grande incapacidade.
Os joelhos com alterações, normalmente apresentam DOR, INCHAÇO (derrame / “água no joelho”) e atrofia muscular. Na presença de qualquer destes sinais/sintomas, nós médicos devemos investigar a causa destas alterações para realizar o diagnóstico correto e propor o tratamento mais adequado em cada caso.
O tratamento pode ser realizado de dois modos:
– Conservador = sem cirurgia
– Cirúrgico = com cirurgia.
No tratamento sem cirurgia, as indicações são de fisioterapia/reabilitação, orientação sobre possíveis excessos de treinamentos/sobrecargas nos esportes. Desta maneira conseguimos resolver inúmeros problemas sem cirurgia.
Quando não conseguimos resultados com o tratamento conservador (sem cirurgia), pode ser necessário propor/realizar algum tipo de cirurgia. Com as técnicas de cirurgia realizadas através de VÍDEO-ARTROSCOPIA, onde fazemos pequenas incisões no joelho, podemos corrigir as lesões presentes com um alto grau de resultados satisfatórios (acima de 90%), levando o atleta ou esportista amador a retornar às suas atividades prévias à lesão.
Estas considerações acima são também válidas para o GOLFE, onde as causas mais frequentes de lesão no joelho são os esforços repetitivos (“overuse”) e erros / falhas na execução de um “swing” correto.
A melhora na qualidade de vida, os avanços da medicina e a pratica de atividades esportivas estão fazendo que a vida média da população aumente progressivamente. Quanto mais atividade física fizermos e mais tempo vivermos, maiores serão os riscos de desenvolver problemas nas articulações dos membros inferiores, onde o joelho é o mais afetado.
O joelho do idoso pode apresentar alterações degenerativas (artrose) da cartilagem, e causar sintomas de dor, inchaço, dificuldade nas atividades diárias e esportivas.
As alterações degenerativas são decorrentes do desgaste da cartilagem, sequelas de traumas, doenças inflamatórias, osteonecrose, instabilidade, meniscectomia prévia.
A artrose ou osteoartrose é a doença mais comum do joelho no idoso e altera a qualidade vida diária progressivamente. O diagnóstico é realizado pela história de dor, inchaço e perda de movimento, e confirmado com radiografias. Em casos especiais, também é feita a ressonância magnética.
O tratamento nos graus mais leves é baseado em mudanças das atividades diárias, perda de peso, medicações analgésicas e anti-inflamatórias, medicações condroprotetoras da cartilagem e reabilitação muscular.
Nos graus mais avançados e quando o tratamento conservador não apresenta boa resposta, o tratamento cirúrgico pode ser necessário. O tipo de cirurgia depende do grau de artrose, idade do paciente e nível de atividade. As opções de cirurgia são artroscopia, osteotomia para corrigir o eixo do membro ou artroplastia do joelho.
Após a cirurgia de artroplastia (prótese) de joelho, os pacientes podem realizar algumas atividades físicas, como: caminhar sem restrições, musculação, natação, ciclismo e golfe, ou seja, manter ainda uma boa qualidade de vida.
Em resumo, devemos PREVENIR fazendo um treinamento adequado com fortalecimento-alongamento muscular para evitar possíveis lesões. Quando as lesões aparecem, devemos TRATAR corretamente através de reabilitação ou cirurgia no intuito de fazer o paciente retornar às suas atividades antes da lesão.
Dr. Rogério Fuchs
Médico Ortopedista do Instituto FUCHS de Joelho e Quadril – Curitiba/PR
Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho – 2007/2008
Contato:
WWW.institutofuchs.com.br
Email: rfuchs@microcomp.com.br
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